Fiemt alerta: Redução da jornada de trabalho pode custar R$ 5,1 bilhões por ano a Mato Grosso
Estudo aponta que fim da escala 6x1 elevaria custos em quase 15% para as indústrias; impacto pode chegar ao preço final dos produtos.
A Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt) divulgou, nesta quinta-feira (5/3), um estudo detalhado sobre os impactos da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa reduzir a jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas. Segundo o Observatório de Mato Grosso, a mudança pode gerar um custo adicional de R$ 5,1 bilhões anuais ao setor produtivo do estado, considerando gastos com novas contratações ou horas extras.
O projeto, que prevê o fim da escala 6x1, está em tramitação no Congresso Nacional e tem gerado forte preocupação entre empresários mato-grossenses, especialmente pelo perfil industrial do estado, onde 96% das 16 mil indústrias são micro e pequenas empresas.
Dois cenários, um alto custo
A estimativa de custos para manter o atual nível de produção da economia mato-grossense baseia-se em duas alternativas para as empresas:
Pagamento de Horas Extras: Elevação de 14,88% na folha de pagamento (impacto de R$ 5,1 bilhões).
Novas Contratações: Aumento de 9,92% na folha (impacto de R$ 3,4 bilhões).
O estudo aponta uma perda de 155 milhões de horas de produção por ano no estado. Para a indústria especificamente, o prejuízo de produtividade seria de 34 milhões de horas, com um impacto direto de R$ 1,2 bilhão anual.
Setores mais atingidos em MT
O impacto não será uniforme. Em Mato Grosso, os setores que mais sofrerão com o aumento de custos são:
Alimentos e Frigoríficos: Área com maior concentração de trabalhadores.
Biocombustíveis: Fabricação de etanol e biodiesel.
Construção Civil e Pesada: Rodovias, ferrovias e obras urbanas.
Madeira e Extração Mineral.
Risco de inflação e falta de mão de obra
Para a Fiemt, o cenário é desafiador devido à atual baixa oferta de trabalhadores no estado. A dificuldade de encontrar profissionais qualificados pode ser agravada pela necessidade de novas contratações imediatas.
Além disso, a Federação alerta para o "efeito cascata" na sociedade. "O aumento dos custos de produção tende a ser repassado ao preço final dos produtos, pressionando a inflação e reduzindo o poder de compra da população", destaca a assessoria da entidade. A entidade defende que a mudança ocorra com transição e diferenciação setorial para não prejudicar a competitividade de Mato Grosso.










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