Operação Rustius: PF conclui inquérito e bloqueia R$ 608 mil do prefeito Alei Fernandes em Sorriso
Investigação criminal aponta "Caixa 2" que superaria 50% do limite legal de gastos da campanha de 2024; defesa alega absolvição na esfera eleitoral.
A Polícia Federal deflagrou a terceira fase da Operação Rustius nesta quinta-feira (5/3), em Sorriso, mirando o patrimônio do prefeito Alei Fernandes. O objetivo central desta etapa foi o bloqueio de bens e valores no montante de R$ 608 mil, visando garantir o ressarcimento ao Estado em caso de condenação criminal por financiamento ilícito de campanha.
Em entrevista exclusiva, o delegado Tiago Marques Pacheco confirmou que a investigação no âmbito criminal foi concluída pela PF e enviada ao Ministério Público.
O Esquema: Dinheiro "por fora" e limites estourados
De acordo com o relatório final da Polícia Federal, a campanha de Alei Fernandes nas eleições de 2024 teria utilizado recursos irregulares que comprometem a lisura do pleito.
O Montante: A PF identificou que, "por baixo", pelo menos R$ 608 mil entraram na campanha de forma ilícita.
O Impacto: O valor representa mais de 50% do limite permitido pela Justiça Eleitoral para o município (que gira em torno de R$ 1 milhão). Oficialmente, a campanha declarou gastos de R$ 900 mil, mas o "Caixa 2" elevaria o gasto real para patamares muito superiores.
Fases Anteriores: As etapas iniciais da operação já haviam realizado buscas em endereços de pessoas físicas e jurídicas suspeitas de operacionalizar a movimentação financeira.
Esfera criminal x Esfera eleitoral
Um ponto crucial destacado pelo delegado é a independência das instâncias. Embora o prefeito tenha obtido uma sentença favorável (arquivamento) na Justiça Eleitoral no final do ano passado, o delegado ressalta que isso não interfere no processo criminal.
"O arquivamento foi questão da Justiça Eleitoral, e isso não repercute na criminal. Pegaram elementos da esfera criminal e levaram para a eleitoral mediante compartilhamento de provas. Agora, o Ministério Público Eleitoral já recorreu dessa decisão em segundo grau", explicou Pacheco.
Bloqueio de bens e busca em residência
Nesta fase patrimonial, os agentes cumpriram mandados de busca na residência do prefeito para localizar bens que cubram o valor de R$ 608 mil. Foram bloqueadas contas bancárias e aplicações financeiras. "Se houver condenação, esse montante já estará disponível para a Justiça", pontuou o delegado.
O outro lado
A defesa do prefeito Alei Fernandes, conduzida pelo advogado Rodrigo Cyrineu, manifestou surpresa com a deflagração da terceira fase após a conclusão do inquérito. Em nota, a defesa destacou:
Que o prefeito já foi absolvido pela Justiça Eleitoral das acusações de Caixa 2 por falta de provas.
Que aguarda acesso aos autos do processo criminal para tomar as medidas jurídicas cabíveis.
Que reitera o respeito às instituições e ao Poder Judiciário.










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