Operação Showdown: PC asfixia braço financeiro de facção em Alta Floresta; R$ 20 milhões movimentados
Núcleo familiar de líder foragida é preso; filha da suspeita movimentava R$ 650 mil por mês e ostentava vida de luxo nas redes sociais.
A Polícia Civil detalhou, em coletiva de imprensa na manhã desta quinta-feira (05), os desdobramentos da Operação Showdown, que desarticulou o núcleo financeiro de uma organização criminosa em Alta Floresta. A ação conjunta entre a delegacia local e a Draco de Cuiabá revelou um esquema sofisticado de lavagem de dinheiro que movimentou R$ 20 milhões em apenas 18 meses.
O delegado regional Waner Neves, acompanhado dos delegados João Lucas Guimarães (Alta Floresta) e João Vitor (Cuiabá), explicou que o foco foi o "coração financeiro" do grupo, operado por parentes próximos da líder da organização, Angélica Saraiva de Sá, a “Angeliquinha”, que segue foragida.
Ostentação e o "Golpe do Tigrinho"
Entre os presos estão a filha, o genro e o pai da líder. A jovem, que possui mais de 40 mil seguidores nas redes sociais, utilizava o perfil para ostentar viagens, veículos de alto padrão e uma rotina de luxo incompatível com sua renda declarada.
As investigações apontam que apenas ela movimentou R$ 13 milhões no período — uma média de R$ 650 mil mensais. Para justificar a fortuna, os investigados alegavam ganhos com plataformas de apostas online (como o "jogo do tigrinho"), versão que foi tecnicamente descartada pela análise financeira da polícia.
Empresas de Fachada e Garimpo Ilegal
A Polícia Civil identificou que o dinheiro do tráfico era "lavado" através de estabelecimentos comerciais conhecidos em Alta Floresta:
Duas lojas de calçados;
Um salão de beleza.
Além do comércio urbano, a operação se estendeu a um garimpo ilegal em Nova Bandeirantes. O local, de difícil acesso, era utilizado para tentar legalizar o dinheiro ilícito por meio da comercialização de ouro. No garimpo, um suspeito foi preso em flagrante com uma pistola .380 e munições.
Patrimônio Bloqueado: De Dodge Ram a Kitnets
A estratégia da Operação Showdown é a asfixia financeira. "Não basta apenas prender, é preciso retirar deles o patrimônio obtido de forma ilícita", destacou a equipe policial. Entre os bens bloqueados e apreendidos estão:
Caminhonetes Dodge Ram e Toyota Hilux;
Veículos de passeio como Honda Civic e motocicletas;
Diversos imóveis, incluindo kitnets e casas de alto padrão.
A Justiça determinou o sequestro de todos os bens para futuro leilão, visando enfraquecer o poder de rearticulação da facção. As investigações continuam para localizar "Angeliquinha" e identificar outros possíveis laranjas do esquema.










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