Nilson Leitão
Carta Aberta à População de Sinop
LEIA ATÉ O FINAL E PERCEBA O QUANTO O ASSUNTO É GRAVE!
Nilson LeitãoNa vida, repetimos quase tudo: sonhar,errar, recomeçar. Mas MORRER, morremos uma única vez.
Em um livro que ganhei de um grande amigoe li recentemente - “‘A morte é um dia que vale a penaviver’,diz que o Brasil, esta entre os três piores países do mundo para se morrer.
Aoscorações de Sinop, nossas autoridades, representantes, imprensa e cada amigoque faz parte desta comunidade incrível, nossa terra de toda gente.
Sinop sempre foi umacidade de destaque, ontem e hoje. Foi com respeito, trabalho e união que cadaum de nós ajudou a construir tudo o que temos: aescola do bairro, a igreja da comunidade, o campinho de terra batida ondejogamos bola, a avenida movimentada, os prédios que tocam o céu e os belos condomínios horizontais que transformaram nossojeito de viver. A cada dia, Sinop pulsa como um farol de progresso, sendo umorgulho e um exemplo para todo o Brasil.
Mas, infelizmente, quandoolhamos para o nosso cemitério — a última morada de todos nós e o único da cidade — vemos um contraste doloroso com tudo o queconstruímos. Ali nãoestão apenas túmulos, mas a história de Sinop, nossos pioneiros e entes queridos.Manter esse lugar digno é obrigação do serviço publico e um dever de todos. É triste, lamentável e indigno ver que o que deveria ser umespaçode respeito se transformou em descaso.
Tive a honra de cuidar deSinop como prefeito por dois mandatos e continuo com o mesmo amor e cuidado pela nossa cidade, mesmoestando há anos fora de cargos públicos. Por isso, sempre evitei criticar os prefeitos que me sucederam.
Mas, há alguns dias, algomexeu profundamente comigo: presenciei novamente um amigo sendo enterrado emcondições apertadas e indignas no nosso único cemitério. Corpos sendo sepultados praticamente amontoados, dividindo espaços já ocupados. O que despertou em mim grande indignação e um apelopor união para buscarmos juntos uma solução definitiva e urgente para esseproblema.
Ali descansam meu pai,amigos e nossos pioneiros — é onde a história de Sinop se encontra com a nossa.Por isso, faço um apelo sincero: que se tome, com urgência, a providência de recuperara área original ou criar um novo espaço digno da grandeza da nossa cidade.
Alémda falta de espaço para novos sepultamentos, há relatos de sepulturas sendoreabertas para reutilização e denúncias de vendas informais, com boletins deocorrência registrados,um absurdo!
Minha indignação é também o eco de perguntasantigas e novas, que pedem respostas em nome de cada cidadão que, com seutrabalho e seus impostos, ajuda a fazer de Sinop essa cidade forte erespeitada.
Por que chegamos a esse ponto com o nosso cemitério?
A situação que enfrentamos hoje não aconteceu poracaso — é fruto de decisões mal tomadas. Em 2012, a Prefeitura vendeu,sem justificativa plausível e em regime de urgência, 256 mil m² de um terrenooriginalmente com mais de 390 mil m², restando apenas 134 mil m² hoje jáocupados. A aprovação ocorreu no mesmo dia, sem estudos ou parecer jurídico,por apenas R$ 43,00 o m². Basta perguntar: quem já viu terreno urbano emSinop ser vendido por esse preço? Mesmo com ação judicial e atuação doMinistério Público, a venda foi consolidada. O resultado é um cemitériosuperlotado, com sepulturas sendo reutilizadas e famílias obrigadas a enterrarseus entes queridos em condições indignas.
Há 13 anos essa questão está na Justiça, com processos ainda emandamento, inclusive criminais. O erro foi político,não jurídico. Por isso, mais do que nunca, precisamos de união e coragem pararesolver de forma definitiva, com respeito à memória de quem se foi e dignidadepara quem ainda precisará desse lugar de paz.
Para compreender melhor essa realidade,destaco os principais fatos e algumas possíveis soluções que podem ser consideradas, para sua reflexão e análise:
Fato 1: Já se passaram 13 anos desde que a Prefeiturade Sinop vendeu parte da área do nosso Cemitério Municipal. Desde então, já estamos na quarta gestão e, até hoje, não houve uma solução definitiva.
O que deveria ter sido feito?
• Destinarimediatamente uma nova área para a construção de um novo cemitério, usando o recurso da própria venda; ou
• Contestar a venda e recomprar a área, mantendo oplano original da cidade.
Fato 2: A áreafoi vendida na época por um valor muito abaixo do real: apenas R$ 11 milhões,ou R$ 43,00 por metro quadrado. Para comparar, hoje um terreno de 3,40 m² paratúmulo custa em média R$ 530,00 o m², e um “gavetão” de 2,08 m² custa cerca deR$ 540,00 o m².
O que deveria ter sido feito?
• APrefeitura poderia ter recomprado a área, depositando o valor em juízo. Parater ideia, entre janeiro e junho de 2024, a arrecadação média mensal domunicípio foi de R$ 13,8 milhões — ou seja, o valor de apenas um mês dearrecadação seria suficiente para resolver essa compra.
Fato 3: A última grande reforma do cemitério foi em nossomandato, até 2008, com capela mortuária, muros ampliados, organização interna elegislação para funerárias. Em julho de 2008, sancionei a Lei 1040/2008,permitindo cemitérios privados — ou seja, todas as alternativas para resolveressa situação já estavam previstas.
Fato 4: É dever do poder público agir com máxima urgência,já que há em média 70 enterros por mês e não existe mais espaço para sepultarcom dignidade.
Como cidadão que ama Sinop, assim como você, faço um apelo para que autoridades,entidades civis e sociedade se mobilizem e cobrem ações concretas, colocando-meà disposição para colaborar em todas as frentes para resolver essa situação deforma definitiva e respeitosa.
Nilson Leitão
CidadãoSinopense








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