Operação Tartufo: Polícia Civil desarticula esquema que usava drones com garras para abastecer presídios em MT
Investigação da Denarc revela uso de tecnologia e compartimentos ocultos para traficar armas e celulares na PCE e na Penitenciária Feminina.
Redação Olhar Cidade
A Polícia Civil de Mato Grosso, por meio da Delegacia Especializada de Repressão a Narcóticos (Denarc), deflagrou nesta quinta-feira (26) a Operação Tartufo. A ação visa desmantelar uma célula de uma facção criminosa especializada no comércio ilegal de armas de fogo e na entrada clandestina de celulares em unidades prisionais de Cuiabá.
Ao todo, foram cumpridos oito mandados judiciais, sendo três prisões preventivas e cinco de busca e apreensão em residências e um galpão nas cidades de Cuiabá e Várzea Grande.
Tecnologia a serviço do crime
O ponto central da investigação, que durou cerca de dois anos, foi a identificação de um drone equipado com um dispositivo de garra. Segundo a Denarc, o equipamento — sem registro na Anac — realizou pelo menos 67 voos, muitos deles sobre a Penitenciária Central do Estado (PCE) e a Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto.
Os horários dos voos coincidiam com apreensões de materiais ilícitos dentro das unidades. Além do drone, o grupo utilizava veículos com compartimentos ocultos e linguagem codificada para evitar a detecção policial.
Estrutura da Organização
A polícia identificou uma divisão clara de tarefas entre os membros:
Liderança Externa: O principal alvo coordenava o comércio de pistolas e espingardas, além da logística dos drones.
Logística: Um integrante era responsável pelo transporte e ocultação dos dispositivos eletrônicos.
Liderança Interna: Um detento, já recluso, exercia o controle e comando das atividades dentro do raio de influência no sistema prisional.
O Significado de "Tartufo"
O nome da operação vem do italiano e significa "aquilo que está escondido sob a terra". A escolha remete ao modus operandi velado do grupo, que agia de forma discreta, sem ostentação, para passar despercebido pelas autoridades enquanto articulava o fortalecimento da facção com armamentos e comunicação interna nos presídios.
"A operação é resultado de uma apuração criteriosa com uso intensivo de tecnologia. Conseguimos identificar um grupo que operava de forma muito discreta", destacou o delegado Marcelo Miranda Muniz, responsável pelo caso.
As ordens judiciais foram expedidas pelo Núcleo de Inquéritos Policiais (NIPO) e contaram com o apoio operacional da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (CORE). Os investigados devem responder por comércio ilegal de arma de fogo, promoção de entrada de celular em presídio e organização criminosa.










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