Operação CNPJ na Cela: Esquema usou CPF de ex-mulher de detento para girar R$ 100 milhões
Investigação da Defaz revela que dados foram obtidos dentro de presídio em Rondonópolis; empresa de fachada simulava compra de grãos e tinha sede registrada em unidade prisional.
A Operação CNPJ na Cela, deflagrada nesta terça-feira (03) pelo Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos (Cira-MT), revelou detalhes impressionantes sobre como facções criminosas e estelionatários estão infiltrados no sistema tributário de Mato Grosso. O principal alvo, identificado como Fabrício Campana Peres, é acusado de liderar um esquema de sonegação que movimentou cifras milionárias usando laranjas.
Um dos casos mais emblemáticos envolve a ex-esposa de um detento. Segundo o delegado João Paulo Firpo Fontes, o líder do esquema teria conhecido o ex-marido da mulher dentro do presídio e, por meio desse contato, obteve o CPF dela para abrir uma empresa de fachada.
R$ 100 Milhões em Nome de quem "não tem nada"
A fraude foi descoberta após a Secretaria de Fazenda (Sefaz) notar uma movimentação de R$ 100 milhões em compra de grãos vinculada ao CPF da mulher, que não possui nenhum patrimônio ou imóvel em seu nome.
A Fraude: A empresa simulava a compra de R$ 100 milhões em produtos, mas declarava a venda de apenas R$ 30 milhões.
Vítima: A polícia acredita que a mulher não sabia que seu nome estava sendo utilizado para operações de tal magnitude.
Sede da Empresa era dentro da Penitenciária
A ousadia dos criminosos chegou ao ponto de registrarem o endereço-sede de uma das empresas de fachada dentro de uma unidade prisional em Rondonópolis. O esquema utilizava contadores para dar aparência de legalidade às empresas, que na verdade não possuíam lastro físico ou capacidade operacional.
Números da Operação
Ao todo, o Núcleo de Justiça 4.0 deferiu 50 ordens judiciais, cumpridas em Rondonópolis e Várzea Grande:
09 mandados de busca e apreensão;
21 suspensões de atividades econômicas de empresas suspeitas;
Suspensão de registros profissionais de contabilidade (CRC);
Quebra de sigilos telemáticos e bancários.
A ação contou com o apoio da Delegacia Especializada de Crimes Fazendários (Defaz) e da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp-MT). As investigações continuam para identificar outros envolvidos e recuperar os ativos sonegados dos cofres públicos.







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