Bomba no Planalto: Ex-ministro Carlos Lupi é citado em delação sobre a "Farra do INSS"
Além de Lupi, delações de ex-dirigentes da autarquia implicam o filho do presidente, "Lulinha", e revelam mesadas de R$ 250 mil em esquema de descontos ilegais.
Redação Olhar Cidade
O escopo da Operação Sem Desconto atingiu o primeiro escalão do governo federal. Documentos obtidos apontam que o ex-ministro da Previdência, Carlos Lupi (PDT), foi citado nos acordos de delação premiada firmados pelos ex-dirigentes do INSS, André Fidelis e Virgílio de Oliveira Filho.
As revelações detalham a suposta omissão e atuação de Lupi no esquema que realizava descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas, movimentando cifras bilionárias. Lupi ocupou a pasta de janeiro de 2023 até maio de 2025, quando foi demitido pelo presidente Lula após a deflagração das primeiras fases da operação.
Proteção a investigados e omissão
Segundo as apurações, enquanto os descontos ilegais saltavam de R$ 80,6 milhões para R$ 248,1 milhões, o então ministro teria demorado mais de um ano para adotar providências, apesar de sucessivos alertas.
As delações indicam que Lupi teria atuado para proteger figuras-chave do esquema, como Alessandro Stefanutto, ex-presidente do INSS. Stefanutto é acusado pela Polícia Federal de receber uma "mesada" de R$ 250 mil das entidades envolvidas na fraude. Lupi chegou a declarar publicamente que Stefanutto era um "servidor exemplar" e que sua indicação era de sua inteira responsabilidade.
O envolvimento de "Lulinha"
As delações não pararam no ministério. Os delatores Virgílio Filho e André Fidelis também detalharam a participação de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente.
O ministro do STF, André Mendonça, já determinou a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico de Lulinha. Ontem (26), o clima na CPMI do INSS chegou às vias de fato, com agressões físicas entre parlamentares da base e da oposição após a aprovação de novas quebras de sigilo contra o filho do presidente.
Quem são os delatores?
Virgílio Oliveira Filho: Ex-procurador do INSS. É acusado de receber R$ 11,9 milhões em propinas. A PF identificou um aumento patrimonial de R$ 18,3 milhões, incluindo a reserva de um luxuoso apartamento de R$ 28 milhões em Balneário Camboriú.
André Fidelis: Ex-diretor de Benefícios. Segundo a CPMI, ele foi o diretor que mais concedeu acordos de cooperação na história do órgão, permitindo que 14 entidades descontassem R$ 1,6 bilhão dos aposentados.
A defesa de Lulinha nega qualquer envolvimento e afirma ter pedido acesso aos detalhes do caso. Já Carlos Lupi ainda não se manifestou oficialmente sobre o teor das delações.










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