Alerta em Mato Grosso: ANM identifica barragens abandonadas com alto risco de rompimento
Estruturas em Pontes e Lacerda e Nossa Senhora do Livramento apresentam "dano potencial alto" e descaso de responsáveis, aponta documento da agência.
Um documento interno da Agência Nacional de Mineração (ANM), obtido recentemente, acendeu o sinal de alerta para a segurança ambiental e populacional em Mato Grosso. A agência identificou duas barragens de mineração de ouro em situação de abandono crítico nos municípios de Pontes e Lacerda e Nossa Senhora do Livramento. Ambas são classificadas com alto risco e alto dano potencial associado.
As estruturas, denominadas Fortuna e Neta, estão embargadas e não possuem responsáveis legais ativos que realizem a manutenção necessária, enquadrando-se tecnicamente como áreas abandonadas.
Pontes e Lacerda: Inspeção por drone devido ao difícil acesso
A Barragem Fortuna, vinculada a Marcos José Martins Fernandes, passou por vistoria em março de 2025. Devido à impossibilidade de acesso terrestre, a equipe da ANM precisou utilizar drones para o monitoramento.
O relatório da agência é contundente: o empreendedor não cumpre nenhuma das obrigações da Política Nacional de Segurança de Barragens. O documento cita "inação, descaso e não manifestação" diante das notificações, o que levou a ANM a acionar o Ministério Público Federal (MPF) e a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (SEMA).
Nossa Senhora do Livramento: Talude rompido e material espalhado
A situação na Barragem Neta, ligada a Diego Sergio de Oliveira Almeida, é ainda mais visual. Em vistoria realizada em maio de 2025, técnicos constataram o rompimento de um dos taludes (paredes de contenção).
De acordo com o órgão regulador, o material rejeitado se propagou por cerca de 200 metros abaixo da estrutura (jusante). O caso foi comunicado formalmente à Defesa Civil municipal e aos órgãos ambientais para providências urgentes, dado que a estrutura permanece sem qualquer acompanhamento técnico regular.
Riscos e Providências
A nota informativa da ANM, consolidada agora em fevereiro de 2026, reforça que o estado de abandono impossibilita intervenções preventivas ou corretivas imediatas por parte dos antigos proprietários.
"As estruturas apresentam reiteradas não conformidades e ausência total de medidas de controle e monitoramento", destaca o relatório.
O Ministério Público Federal em Mato Grosso já acompanha os casos para apurar as responsabilidades cíveis e criminais, visando garantir a segurança das comunidades vizinhas e a integridade dos ecossistemas locais.










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