Superadaptação: Aedes aegypti agora se reproduz em água com óleo e produtos químicos em Sinop
Vigilância em Saúde alerta para nova fase do mosquito, que também foi encontrado em topos de prédios com mais de 50 metros; cidade registrou 13 mortes em 2025.
O Departamento de Vigilância em Saúde de Sinop emitiu um alerta preocupante sobre a evolução do mosquito Aedes aegypti. Dados recentes apontam que a fêmea do transmissor da dengue, zika e chikungunya desenvolveu um novo comportamento reprodutivo, conseguindo depositar ovos e gerar larvas em ambientes antes considerados improváveis, como recipientes com óleo automotivo, graxa, barro e até soda cáustica.
O diretor do departamento, Jorge Bevilaqua, revelou que as equipes encontraram focos ativos em caixas de lavagem de mãos em oficinas mecânicas e em lavadores de veículos. "O óleo se acumula na superfície e, por baixo, os mosquitos conseguem se desenvolver. Isso mostra o nível de adaptação do Aedes", relatou.
Fim do mito das alturas
Outra descoberta que acendeu o sinal de alerta é a presença de larvas em locais com altura superior a 50 metros. O mito de que o mosquito não alcança andares altos foi derrubado: focos foram identificados em caixas d’água no topo de prédios com mais de 20 andares. Segundo a vigilância, o mosquito "sobe andar por andar", avançando gradualmente pelas estruturas urbanas.
Ciclo de vida e potencial de transmissão
O mosquito possui um ciclo de vida que varia de 34 a 55 dias. A fase crítica é a adulta, que dura de 30 a 45 dias, período em que ocorre a transmissão das doenças.
Poder reprodutivo: Uma única fêmea pode colocar até 450 ovos.
Volume mínimo: Uma simples tampinha de garrafa com 5ml de água é suficiente para virar um criadouro.
80% dos focos estão dentro das casas
O coordenador do Centro de Combate às Endemias, Alef Souza Costa, reforçou que a maior parte do problema está no ambiente doméstico. Paradoxalmente, bairros com coleta de lixo frequente, como o Jardim Violetas e Jardim Primavera, lideram os índices de focos.
"Cerca de 80% dos focos estão em residências e relacionados ao lixo doméstico. A coleta passa regularmente, mas falta mudança de mentalidade. O principal vilão hoje está dentro de casa", enfatizou Alef.
Números alarmantes em Sinop
O balanço de 2025 revela a gravidade da situação no município:
Total de casos: Mais de 4 mil positivos.
Chikungunya: 2.746 casos (12 óbitos).
Dengue: 1.282 casos (1 óbito).
Zika: 9 casos.
A recomendação é que a inspeção nos quintais, calhas, pratos de plantas e áreas de serviço seja feita semanalmente, sem esquecer agora de locais com resíduos químicos ou oleosos em comércios e indústrias.







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