Por que o autismo em meninas costuma passar despercebido na infância?
Meninas autistas costumam passar despercebidas na infância, com uma proporção de diagnóstico de uma menina para quatro meninos. A psicóloga e pesquisadora sobre autismo em adultos, Bárbara Moreira, explica que a demora e a dificuldade em diagnosticar mulheres acontece por vários fatores.

"Diagnosticar mulheres é muito mais difícil, tanto pela camuflagem social — elas tentam disfarçar características da própria personalidade, características que vão ser sintomatologia do transtorno — além disso, muitos profissionais ainda buscam o paciente do estereótipo. Eles não se atualizam para olhar quais são os outros critérios que existem ali."Publicidade
Bárbara alerta que o diagnóstico tardio pode trazer prejuízos para a mulher autista.
"Essa menina cresceu sem ganhar as habilidades que precisava, sem ter o apoio, o ensino que era necessário. E o acúmulo deste estresse, o acúmulo desses déficits, eles estão associados com transtornos de humor, com transtornos de ansiedade, de forma recorrente e severa."
Podcast VideBula 🎙️: Abril Azul contribui para desmistificar o autismo
A criadora de conteúdo Lu Leone, de 37 anos, recebeu o diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) apenas aos 33 anos e sente que a falta de tratamento adequado afetou negativamente o seu desenvolvimento.
"Eu me submeti a procedimentos e a medicamentos muito pesados que só me pioravam, porque hoje em dia eu sei que eles não podiam ser usados por pessoas autistas. Eu me prejudiquei muito em questões de escola, eu me sentia deslocada."
A psicóloga Bárbara Moreira alerta para os sinais de autismo em mulheres que podem ser observados ainda na infância.
"Às vezes a menina não sabe o que é para dizer naquele momento, ela não sabe começar uma conversa, ela não sabe manter, ela não tem muito filtro como a gente diz, né? E alguns sinais que são mais famosos, como por exemplo a dificuldade com quebra de rotina, interesses muito restritos, independente de qual for o interesse, ela deixa às vezes de fazer atividades importantes como se alimentar e ir ao banheiro para se manter ali naquele interesse."
O diagnóstico do TEA deve ser realizado por neuropediatras, neurologistas ou psiquiatras, com apoio de avaliação neuropsicológica através de consultas, entrevistas e protocolos específicos.
2:06











COMENTÁRIOS