MPT aponta relação entre ruído excessivo em frigorífico e 77 abortos em Lucas do Rio Verde
O Ministério Público do Trabalho (MPT) ingressou com uma ação contra a empresa MBRF, uma das maiores do setor de alimentos do mundo, por suspeita de que a exposição de gestantes a ruídos acima do permitido tenha causado 77 abortos entre 2019 e 2025 na unidade de Lucas do Rio Verde. O órgão também identificou 144 registros de abortos ou ameaças e 113 partos prematuros no período.
A procuradora Priscila Schvarcz explicou que estudos científicos apresentados na ação apontam que ruídos acima de 80 decibéis podem provocar não apenas danos auditivos, mas também efeitos extra-auditivos como pré-eclâmpsia, hipertensão arterial, baixo peso fetal e parto antecipado. “Nós apresentamos inúmeros estudos científicos que demonstram a associação da exposição ao ruído a esses agravos à gestação e ao nascituro”, afirmou.
A investigação teve início após uma funcionária venezuelana sofrer um aborto espontâneo de gêmeas aos oito meses de gestação na portaria da fábrica, em abril de 2024. Segundo o MPT, as trabalhadoras eram expostas a ruídos de até 93 decibéis, acima do limite legal de 80. O órgão aponta que a empresa possui 23 setores com ruído inferior ao permitido onde as gestantes poderiam ser realocadas sem prejuízo à produção.
Em nota, a MBRF informa que segue rigorosamente a legislação, fornece EPIs certificados e possui programa de acompanhamento a gestantes. A empresa afirma que não reconhece os números apresentados pelo MPT e que não há correlação comprovada entre os casos e as atividades laborais, devendo apresentar defesa no processo.
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