Toffoli retira sigilo de depoimentos de Vorcaro e Paulo Henrique Costa
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, retirou o sigilo dos depoimentos do banqueiro Daniel Vorcaro e do ex-presidente do BRB, o Banco de Brasília, Paulo Henrique Costa. Num dos depoimentos, Paulo Henrique chegou a dizer que não tinha clareza com relação à fraude do Master.

Entre os vídeos liberados está também o da acareação que os dois fizeram no último dia 30. Ao falar da empresa Tirreno, Vorcaro e Paulo Henrique entraram em contradição. Vorcaro disse que essas carteiras de crédito tinham origem em investimentos de terceiros e não pertenciam ao banco.
Delegada: "O senhor avisou, então, que seriam carteiras originadas por terceiros?"
Daniel Vorcaro: "Sim, eu não me lembro a data específica, mas a gente chegou a conversar em algum momento que a gente teria essa comercialização desse novo tipo de carteira".
O presidente do BRB rebateu. E foi, novamente, contraposto por Vorcaro.
Paulo Henrique Costa: "O meu entendimento, que eu coloquei aqui mais cedo, é que eram carteiras originadas pelo Master, que haviam sido vendidas ou negociadas a terceiros e que o Master estava recomprando e revendendo pra gente."
Daniel Vorcaro: "Não tenho essa informação de ser revendida pelo Master. Eu sabia que eram carteiras, naquela ocasião, dos mesmos originadores que faziam originação pro Master, ou seja, era um ambiente já de clientes que faziam parte do nosso ambiente. Mas não especificamente que tinham sido originados por nós".
É que durante as investigações, a Polícia Federal apurou que a Tirreno era uma “empresa de fachada” para simular operações de compra e venda de créditos.
Já sobre o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, Vorcaro confirmou encontros com ele. E disse que as conversas eram institucionais.
"Conversei em algumas poucas oportunidades, sim. Já foi à minha casa, se eu não me engano, uma vez. E eu já fui à casa dele. A gente se encontrou poucas vezes. Conversas institucionais".
O governador Ibaneis nega que esses encontros tenham ocorrido para tratar do Master. Daniel Vorcaro, nos depoimentos, também foi perguntado pela delegada Janaína Palazzo, responsável pela investigação, sobre sua relação com políticos. Não quis citar nomes; disse apenas que tem amigos em todos os poderes. E negou qualquer interferência do Banco Central sobre a venda do Master, mas afirmou que chegou a conversar com o diretor de fiscalização do BC sobre a liquidação da instituição.
Delegada: "O senhor, ou qualquer pessoa a seu mando, solicitou a intervenção de autoridades políticas junto ao Banco Central do Brasil em favor do Banco Master?"
Daniel Vorcaro: "Não".
Delegada: "O senhor conversou com o senhor Ailton Aquino Santos nos cinco dias anteriores à liquidação do Banco Master?"
Daniel Vorcaro: "Sim".
Delegada: "Houve alguma tentativa de interferência política na supervisão do Banco Central?"
Daniel Vorcaro: "De forma alguma".
Delegada: "O senhor, ou qualquer pessoa a seu mando, solicitou a intervenção de autoridades políticas junto ao BRB para que a aquisição do Banco Master fosse aprovada ou para que as operações de cessão de carteiras continuassem?"
Daniel Vorcaro: "Não".
Daniel Vorcaro e outros acusados foram presos no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura a concessão de créditos falsos pelo Banco Master, incluindo a tentativa de compra dele pelo BRB. Diante dos indícios de fraude, o banco foi liquidado pelo Banco Central. Essas fraudes podem chegar a R$ 17 bilhões.
O caso todo está no Supremo por decisão do ministro Dias Tóffoli, relator da ação. Isso porque um deputado foi citado nas investigações e deputados têm foro privilegiado. Nessa quinta-feira (29), o ministro Tóffoli disse que só depois da PF concluir a apuração vai decidir se encaminha todo o processo para a primeira instância.
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