Famato e embaixador chinês discutem logística, armazenagem e diversificação das exportações
Durante o encontro, o presidente do Sistema Famato destacou a dimensão do mercado chinês e a importância da relação comercial com Mato Grosso. “A cada visita na China fico surpreso com o crescimento, por tudo que constroem para o povo chinês e para atender o resto do mundo”, afirmou. Segundo ele, o avanço chinês tem reflexos diretos sobre economias exportadoras como a de Mato Grosso. “O crescimento da China reverbera no crescimento do mundo, sobretudo no crescimento de Mato Grosso”, disse.
Vilmondes Tomain defendeu investimentos em corredores de exportação conectados ao Pacífico, especialmente pela rota do Peru, apontada como estratégica para encurtar o caminho da produção mato-grossense até a Ásia. “A melhor saída do produto brasileiro para o mercado asiático é pelo Peru”, afirmou. Ele também sugeriu avanços em projetos ferroviários voltados a essa integração, como a ferrovia em Chancay, no Peru, que ligaria Mato Grosso a esse corredor.
O presidente do Sistema Famato também destacou o déficit de armazenagem no estado. Mato Grosso tem hoje uma defasagem de 52% na capacidade de estocagem, o que compromete a qualidade da produção e pressiona o sistema logístico durante a safra. “O armazém da safra brasileira é a carroceria de caminhões”, criticou. “Não temos tempo de tratar a soja para que ela se transforme num produto melhor.”
Para o Sistema Famato, ampliar a rede de silos e armazéns, inclusive com estruturas menores dentro das propriedades, é uma condição necessária para agregar valor à produção e melhorar a segurança do sistema. “Precisamos de mais investimentos e parcerias para a construção de armazenagem. Isso aumentaria a qualidade do produto e a segurança da produção.

O embaixador Zhu Qingqiao afirmou que a aproximação com Mato Grosso está alinhada ao novo plano de desenvolvimento da China para os próximos cinco anos, que prevê crescimento econômico com base em inovação, sustentabilidade e fortalecimento da cooperação internacional.
“Queremos construir um país moderno e continuar promovendo um crescimento econômico de qualidade”, afirmou o embaixador. Segundo ele, a meta do país é manter o PIB em expansão próxima de 5% ao ano, em um modelo apoiado em ciência, tecnologia e novas forças produtivas.
Zhu Qingqiao observou que a China dispõe de área agricultável limitada e, por isso, precisa combinar aumento de produtividade interna com o fortalecimento de parcerias internacionais para garantir segurança alimentar. “A China tem poucas terras agricultáveis, cerca de 150 milhões de hectares apenas”, afirmou. “As pessoas querem comer mais, melhor e de forma mais diversificada. Por isso, a parceria com Mato Grosso é importante e vital.”
O embaixador também indicou que o interesse chinês vai além da soja e do milho. “Quero importar mais do que soja e milho; queremos frutas e outros produtos”, declarou, ao citar a intenção de ampliar a pauta de importações oriundas do estado.
Na área de infraestrutura, Zhu confirmou que há interesse em aprofundar a cooperação logística com o Brasil e com os países da América do Sul. “Estamos fazendo pesquisas para ver a viabilidade econômica para investimentos logísticos via Peru”, afirmou. Segundo ele, a proposta está inserida em uma visão mais ampla de integração regional. “Defendemos a integração regional entre os países da América do Sul”, disse. “Empresas chinesas estão participando de licitações para o desenvolvimento logístico.”
Além da pauta econômica, Zhu Qingqiao mencionou o interesse em ampliar o intercâmbio cultural e acadêmico entre a China e Mato Grosso. “Queremos fortalecer o conhecimento recíproco e criar um ambiente melhor para o avanço das cooperações pragmáticas”, afirmou. Ele também citou a possibilidade de parcerias com universidades e de realização de atividades ligadas ao Ano Cultural Brasil-China.
Também participaram da reunião os diretores da Famato, Ronaldo Vinha, de Relações Institucionais, e Robson Marques , Administrativo e Financeiro; o coordenador de Mercado Agropecuário do Imea, Rodrigo Silva; o chefe da Seção Consular da Embaixada da China, Hou Fangchao; as secretárias da embaixada Zheng Xiaoni, Zhang Wei e Sun Jing e Bruna Moraes de Aquino, assessora internacional do Governo de Mato Grosso.
Carne bovina
A reunião ainda abordou a salvaguarda aplicada pela China à carne bovina. Sobre o tema, o embaixador afirmou que a medida foi adotada para proteger os produtores locais diante da pressão sobre os preços internos. “A importação de carne aumentou muito e o preço da carne local caiu muito”, disse. “Os criadores são do interior e essa atividade é essencial para manter a renda dessas regiões.” Apesar disso, ele sinalizou que Mato Grosso segue como fornecedor relevante. “Talvez a cota aumente, porque Mato Grosso é um produtor eficiente”, afirmou.
















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