Com incêndios no Pantanal, onça-pintada e arara azul estão sob ameaça de extinção

Com incêndios no Pantanal, onça-pintada e arara azul estão sob ameaça de extinção

71% da área do Parque Estadual Encontro das Águas, local com a maior população mundial de onças-pintadas e habitat das araras azuis, foi devastada pelas queimadas

Por Circuito MT 15/09/2020 - 15:47 hs

Os maiores símbolos da fauna brasileira, onça-pintada e arara azul podem ser extintas do território mato-grossense. Dois refúgios destes animais, localizados no Pantanal de Mato Grosso, não escaparam das queimadas que atingem o bioma há mais de 50 dias. Localizado em Poconé, Parque Estadual Encontro das Águas, com a maior população mundial de onças-pintadas, teve 71% da área queimada. A estimativa é que 80 onças vivam na região. Na fazenda São Francisco do Perigara, em Barão de Melgaço, mais de 80% dos 25 mil hectares foram atingidos. A área é refúgio de mais de 700 araras azuis.

Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) confirma que a área total do Parque Estadual Encontro das Águas é de 108 mil hectares, o que equivale a mais de mil quilômetros quadrados. O fogo, que ainda continua, já queimou 77 mil hectares. A pasta pondera que a estimativa é que no local tenham 8 onças por 100 quilômetros quadrados. O número resulta da abundância de presas e qualidade do habitat. “Precisar a quantidade exata não é possível porque as onças transitam por toda a região”, diz Sema.

Presidente do Instituto Arara Azul, Neiva Guedes é quem coordena o monitoramento de ninhos do Projeto Arara Azul na fazenda São Francisco Perigara. Apesar de o fogo ter sido contido no local no final do mês de agosto, a professora revela que os danos ao refúgio podem ser irreversíveis, inclusive com impactos a longo prazo. Ela informa que, na próxima semana, o grupo estará no santuário para monitorar prejuízos. Mas afirma que a área de alimentação e ninhos foram atingidas.

Neiva explica que, na sede da fazenda, há uma concentração de palmeiras que se transformou num ponto tradicional de dormitório das araras azuis e papagaios. Esse local foi cercado e protegido há mais de 60 anos pelo pai das atuais proprietárias. “A propriedade acabou virando um refúgio, que é único no mundo, porque dezenas de araras-azuis se reúnem no local. Com certeza, as próximas gerações destes animais serão afetadas por conta da queimada”, complementa.