Com vídeos caseiros de sexo, Tigresa fala sobre aceitação e amor pelo que faz

Com vídeos caseiros de sexo, Tigresa fala sobre aceitação e amor pelo que faz

Tigresa, 22 anos, tem legião de seguidores que assistem aos seus vídeos de sexo e contos no Youtube.

Por RD News 04/08/2020 - 12:01 hs
Foto: Dayanne Dallicali/Arte/Rdnew
Com tatuagem no peito e sempre com um sorriso no rosto, Trigresa Vip (nome fantasia da jovem Ester Caroline) é uma personagem que divide opiniões. A mato-grossense começou a ficar conhecida aos 17 anos, quando, com a direção do marido, tirou fotos nuas em locais públicos como forma de protesto político e social. Desde então, se firmou no mercado do pornô independente, gravando vídeos caseiros e divulgado em seu site, onde cobra uma espécie de mensalidade para seus fãs terem acesso a suas produções, em que aparece em cenas de sexo com o companheiro e outros homens. Em entrevista exclusiva ao RD News, Tigresa conta sobre a expansão do seu trabalho. Com o sucesso dos vídeos transando, começou a contar suas aventuras eróticas em canal do Youtube (que já conta com 1,17 milhões de seguidores). Na conversa remota, a jovem fala sobre a indústria pornográfica, prostituição e relação com família e amigos. Garante que ama o que faz e pouco se importa com a opinião alheia.

Veja os melhores trechos da entrevista gravada de forma remota na quinta (30):

Aos dezessete anos, quando ainda era menor, algumas polêmicas envolveram suas imagens nas redes. Não considera precoce o início da sua trajetória? 

Começou no WhatsApp e eu sempre gostei de fazer vídeo e protesto. Comecei a tirar fotos e gravar com dezessete anos, mas não considerava um trabalho. Eu fazia por prazer. Depois que completei dezoito anos criei meu próprio site, além de pesquisar na internet formas de ganhar dinheiro com isso. Nada melhor do que a gente fazer o que gosta e ganhando dinheiro. Quando aconteceram essas polêmicas faltavam três meses para eu completar dezoito anos, mas ainda não era trabalho.

Como seus amigos e familiares reagiram com a exposição dos seus vídeos?

Foi bem tranquilo, pois minha família sempre me aceitou e apoiou. Logo que começaram a surgir os vídeos, chamei meus pais para contar o que estava acontecendo, quando comecei a falar eles já me interromperam. Falaram que já sabiam e perguntaram se eu gostava do que estava fazendo, eu disse que sim. Então, me aconselharam a seguir minha vida e fazer o que me fizesse sentir à vontade.

Além do seu site, você tem algum tipo de renda? Qual?

O meu site está passando por uma transformação e ainda tem uma renda pequena. Vamos mudar ele todo e fazer uma nova cara, até porque já era pra ter feito isso há muito tempo. Não dependo só do site, tenho uma conta no X Vídeos, sou modelo, youtuber e digital influencer. Também sou comerciante no ramo de iscas vivas.

No seu canal do Youtube você relata suas gravações com contos eróticos, como tem sido essa plataforma considerando o número de seguidores?

Tenho a conta há muito tempo, só que nos últimos dois anos comecei a me interessar mais pelo YouTube. Lá já tenho 1,17 milhões seguidores. Tento contar as histórias de um jeito que o público entenda, mas como a plataforma tem regras, algumas palavras eu dou uma distorcida. Como meu público já entende bem o meu jeito de contar, por isso tendem a gostar bastante.

Como diferenciar a gravação dos seus vídeos com o trabalho de prostituição?

Meu trabalho é só com vídeos, tudo costuma ser virtual. Os meus vídeos são gravados com amigos e conhecidos, mas não tem nada ver com programa. No programa, a mulher se encontra com a pessoa, e ela recebe uma quantia em dinheiro por aquilo. Eu não, eu faço meu trabalho e a única coisa que cobro é o contrato de direitos autorais, para poder publicar aquele vídeo. Muita gente me chama aqui ou manda mensagem e pergunta quanto está o programa ou quanto é a hora, estou acostumada já, mas não trabalho com prostituição.

Como é feita essa seleção dos rapazes que gravam os vídeos com você? Quais costumam ser seus critérios?

Temos que selecionar. O cara que tem o passarinho (pênis) pequeno, não dá muita audiência, ou se não quiser mostrar o rosto, fica mais complicado. Antes de gravar conversamos bastante com a pessoa para ver se ele vai ter psicológico suficiente para aguentar a exposição. Às vezes pedem para retirar o vídeo e, por isso, estou começando a gravar sem mostrar o rosto de alguns deles. A maioria das pessoas que pedem para eu tirar os vídeos são de Cuiabá.

Como funciona sua relação com seu marido que também é seu produtor? As pessoas se sentem intimidadas?

Meu marido é meu produtor e meu câmera, a gente senta e conversa sobre as ideias, a gente pede opinião do público também. As pessoas que gravam comigo não são profissionais, são todos amigos e conhecidos. O meu negócio é a produção amadora. Normalmente quem quer gravar comigo é meu seguidor e já sabe como funciona. Para relaxar tomamos uma cervejinha, daí a pessoa fica mais à vontade.

Nos últimos anos tem aumentado a militância de muitos internautas que se posicionam contra a indústria da pornografia. Apontam impactos negativos do pornô, por exemplo, que a pornografia deseduca e faz com que os jovens tenham uma visão distorcida do sexo. Além disso, há relatos da exploração das atrizes. Como avalia esse movimento anti pornografia?

Em todos os tipos de profissão tem exploração. Não posso falar muito dessa exploração, pois trabalho para mim mesma, não dependo de produtor e produtora. Nunca fiz filmes para outras pessoas. Tem exploração sim, e por isso as críticas também cresceram, com o acesso à internet e informação, poder falar sobre isso ficou mais fácil. Só que junto às críticas, também cresceram os elogios e acessos aos mesmos conteúdos.

Em sites segmentados houve crescimento de acessos durante esse período de pandemia. O número de visitas do Sexy Hot, por exemplo, aumentou 31% no período de 14 a 19 de março, se comparado aos dias 7 e 12 do mesmo mês. Houve aumento de procura também nos seus vídeos?

Por conta do meu site estar passando por uma transformação, não senti esse crescimento. Não está tendo novidade no meu site. Parei as gravações com outras pessoas, continuo apenas com meu marido e alguns amigos próximos. Estou me cuidando muito para não contrair o coronavírus, viajei esses dias, pois precisava mesmo. Não recebo ninguém em casa, ando com um medo danado.

Houve uma notícia no ano passado que você havia contraído o vírus do HIV, mas você fez o exame que deu negativo em um veículo nacional. Pelo que diz dos seus cuidados do coronavírus, você é uma pessoa que se cuida, como foi lidar com isso?

No meio do ano passado fizeram uma fake news dizendo que eu estava com HIV, como sempre fazem, e fiquei bem abalada, pois é chato quando dizem coisas de você que não é verdade. Quando gravo sem preservativo, a gente faz exames antes, para ver se a pessoa está saudável e é tudo bem cuidadinho. Passei um perrengue com esses boatos.