Advogado e estagiário presos por furto de aeronave em Matupá teriam intimidado testemunhas

Advogado e estagiário presos por furto de aeronave em Matupá teriam intimidado testemunhas

Além do advogado Bruno Zardo Bueno e o estagiário dele, Rafael Farias Francisco, também foi preso o tenente da Polícia Militar, Wagner Coletti Duarte, o piloto Luan Felipe Santos Noleto e Luiz Augusto Gimenez Pommer.

Por RD News 02/06/2020 - 10:28 hs

O advogado Bruno Zardo Bueno e o estagiário dele, Rafael Farias Francisco, que foram presos pela Polícia Civil nesta quarta (27), por suposto envolvimento com o furto da aeronave Cessna Aircraft 182, em Matupá (a 695 km de Cuiabá), são investigados por intimidar testemunhas, esconder e forjar provas sobre o furto do avião. Além deles, também foi preso o tenente da Polícia Militar, Wagner Coletti Duarte, o piloto Luan Felipe Santos Noleto e Luiz Augusto Gimenez Pommer.

De acordo com o inquérito, o advogado Bruno foi quem acompanhou o piloto Luan à delegacia, quando ele foi preso, como o primeiro suspeito do crime. Na ocasião, confessou o envolvimento de Luiz Augusto que, por sua vez, ficou em silêncio no depoimento. A polícia então conseguiu chegar até Rafael e descobriu que ele era estagiário de Bruno.

Para chegar até o tenente Wagner, uma testemunha relatou e apresentou provas que o militar havia feito convite para que participasse do furto do avião, na presença de Bruno e do piloto, em um encontro em Nova Santa Helena. Ela teria apresentado também prints de conversas realizadas entre ele e o tenente pelo aplicativo WhatsApp.

Por meio de nota, a PM informou que a Corregedoria Geral, que acompanhou a prisão preventiva do oficial (tenente), decretada pelo Poder Judiciário, em decorrência de investigação da Polícia Civil, que está analisando a documentação obtida junto a PJC para definir quais medidas administrativas e disciplinares a serem adotadas no âmbito interno.

A instituição militar reafirma que prima pelo princípio da conduta ilibada de seus integrantes, tanto no exercício das atividades militares, quanto fora do serviço. No caso do policial em questão, trata-se a princípio da suspeita de crime comum, ou seja, não praticado em serviço ou em razão da função militar. Destaca que a PM apoia a Polícia Civil naquilo que estiver ao seu alcance para o esclarecimento dos fatos e responsabilização dos culpados.

O policial permanece preso numa unidade militar, como prevê a legislação e à disposição da Justiça.

OAB acompanha

A OAB por sua vez, informou que quanto a prisão do advogado Bruno Zardo, que as diligências de busca e apreensão e a prisão foram acompanhadas pelos representantes do órgão, através do presidente da subseção Dr. Marcus Macedo e o presidente da Comissão de Defesa das Prerrogativas da 14ª Subseção Dr. Cássio Pereira.

Todas as prerrogativas profissionais do advogado foram garantidas. As cópias dos autos serão solicitadas para devida instauração de processo junto ao Tribunal de Ética e Disciplina (TED) da OAB-MT, a quem cabe avaliar a conduta, conforme prevê o Código de Ética;

A 14ª Subseção da OABMT ressalta que não é seu papel atuar na defesa do advogado, mas sim de suas prerrogativas, bem como zelar por toda advocacia, para que direitos e deveres sejam cumpridos.