Polícia pede exumação de corpos que foram trocados em hospital em Cáceres e diz que etiquetas foram invertidas

Polícia pede exumação de corpos que foram trocados em hospital em Cáceres e diz que etiquetas foram invertidas

De acordo com a polícia, as sacolas com os corpos dos pacientes foram etiquetadas com identificações trocadas, de forma que o corpo de Adélio de Souza foi liberado e sepultado pela família de Alaíde de Aquino.

Por G1 MT 28/05/2020 - 09:57 hs

A Polícia Civil de Cáceres, a 250 km de Cuiabá, pediu a exumação dos corpos que foram trocados no Hospital São Luiz, em Cáceres, a 220 km de Cuiabá, nesta terça-feira (27). Alaíde Rosa de Aquino, de 81 anos, moradora de São José dos Quatro Marcos, morreu com suspeita de coronavírus, mas teve o corpo trocado por outro idoso que acabou sendo enterrado no lugar dela.

A exumação será feita para corrigir local de sepultamento dos corpos trocados.

De acordo com a polícia, os corpos das pessoas citadas estavam lacrados em sacolas próprias, porém, foram etiquetadas com identificações trocadas, de forma que o corpo de Adélio João de Souza, de 66 anos, vítima de infarto, foi liberado erroneamente para familiares de Alaíde e sepultado no cemitério de Cáceres.

"Fizemos o sepultamento do corpo que achávamos que era o da minha avó e, chegando em casa, o hospital ligou dizendo que houve um engano e a família precisava comparecer no hospital. Nós tivemos que fazer o processo tudo de novo, passar pelo sofrimento tudo de novo, e agora vamos enterrar minha vó," explica Patrícia Ribeiro, neta de Alaíde.

Uma das causas do erro foi que pacientes que morrem em decorrência do coronavírus são lacrados em sacolas e velados e sepultados com o caixão fechado, sem possibilidade de acesso pelos familiares e serviços funerários.

A troca foi percebida por familiares de Adélio, que puderam abrir sacola e conferir o corpo, uma vez que a causa da morte dele foi infarto.

"É um descaso muito grande. É uma coisa que você nunca espera que vai acontecer, fora da realidade. Você sofre duas vezes", conclui Patrícia.

Em nota o Hospital São Luiz lamentou o ocorrido e informou que  abriu sindicância para apurar o caso. 

NOTA 
 
A direção do Hospital São Luiz informa que abriu sindicância para apurar o ocorrido e adotará todas as medidas cabíveis.
 
A gestão mantém, de forma contínua, a revisão de protocolos de segurança e o caso mencionado não está de acordo com o rigor dos procedimentos do São Luiz.
 
Os familiares dos pacientes envolvidos foram informados, imediatamente, após identificada a situação, sendo oferecido todo o suporte necessário para a resolução dos trâmites. Na manhã desta quarta-feira (27/5), a direção do Hospital São Luiz obteve autorização da Justiça para exumação do corpo. A unidade arcará com todos os custos envolvidos no procedimento.
 
Neste momento, o Hospital São Luiz lamenta o ocorrido e reitera seu compromisso com a população, amparado por seus princípios e a busca permanente pela qualidade, humanização e segurança nos serviços oferecidos.

Comunicação - Hospital São Luiz