Como escolher uma conta remunerada para se proteger da inflação

A inflação no Brasil voltou a rodar na casa de 12% ao ano e atingiu o maior patamar em quase uma década. Para combater a carestia, o Banco Central subiu a taxa básica de juros, que inflou o rendimento de aplicações de renda fixa, agora também pagando 1% ao mês.

Com a inflação corroendo a capacidade de comprar coisas a cada mês, vale a pena buscar proteção nas contas remuneradas para preservar ao menos parte do dinheiro? Veja como escolher o melhor produto desse tipo, segundo profissionais de mercado sobre.

A grande maioria das pessoas já está sentindo a inflação, com maior dificuldade para guardar dinheiro. Isso só reforça a necessidade de rever o planejamento familiar e buscar produtos que ajudem a proteger o capital.
Alexandre Santiago, planejador fiduciário na Fiduc

Como funciona a conta remunerada

A conta remunerada é um tipo de conta em que a instituição financeira pega o dinheiro depositado pelo cliente e aplica em algum produto de investimento.

Em termos operacionais, o cliente nem percebe que o dinheiro da conta foi para uma aplicação e voltou na hora em que ele fez um saque no caixa eletrônico ou usou um cartão de débito, por exemplo.

O tipo mais comum de conta remunerada era a conta poupança. Mais recentemente, a conta remunerada foi atualizada por novas instituições financeiras, como os bancos digitais, instituições de pagamentos e outras fintechs que oferecem carteiras digitais.

Além da poupança, as contas remuneradas passaram a investir também em CDBs, principalmente, e outros ativos de renda fixa, como títulos do Tesouro. Esses produtos têm liquidez diária, ou seja, é possível sacar e ter o dinheiro em conta no mesmo dia.

A entrada desses competidores no mercado ampliou o acesso de mais pessoas às contas correntes remuneradas, que passaram a oferecer rendimentos mais elevados, equivalentes a 100% do Certificado de Depósito Interbancário (CDI), ou até mais.

Com juros a 2% ao ano, a pessoa recebia o salário, deixava na conta e ia gastando, para investir apenas no fim do período, com o que sobrasse. Hoje, com juros de 1% ao mês, faz mais sentido investir logo no começo do mês. A preguiça de investir só no fim do mês já custa caro. Então vale a pena o trabalho de pesquisar uma conta remunerada
Letícia Camargo, planejadora financeira pela Planejar

Tipos de contas remuneradas

O cliente pode não perceber as diferenças entre as contas remuneradas e tradicionais contas-correntes porque do ponto de vista prático, elas parecem iguais na hora de fazer pagamentos, saques, transferências, e transações com cartão ou no app do celular.

Mas as contas remuneradas são diferentes de acordo com o tipo de instituição financeira que oferece o produto. Se for um banco ou instituição financeira autorizada a funcionar como banco, a conta remunerada é criada a partir de conta corrente tradicional. Já se a conta remunerada é oferecida por uma instituição de pagamento ou fintech que não é banco, esse tipo de serviço é criado a partir de uma conta de pagamento.

A principal diferença para o cliente é que a conta corrente é coberta pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), e a conta de pagamento não.

De qualquer forma, para proteger os consumidores do risco de uma eventual quebra da instituição financeira que administra a conta remunerada, o dinheiro colocado nesse tipo de conta fica obrigatoriamente separado do patrimônio da empresa. Ou seja, mesmo se a instituição quebrar, o dinheiro dos clientes não desaparece.

Como escolher a melhor opção

Na hora de escolher uma conta remunerada, o cliente deve considerar mais que apenas o rendimento, já que as instituições financeiras oferecem outros serviços e benefícios.

  • Rendimento: As contas remuneradas costumam apresentar rendimento em relação ao CDI. Explicamos aqui o que é esse indicador. Se o rendimento é 100% do CDI, isso significa que a conta vai pagar a mesma variação do indicador nesse período. Se for 200% do CDI, o rendimento vai ser o dobro do CDI. Nesse caso, se o CDI do período for 1%, a pessoa vai receber o rendimento de 2%.
  • Data do rendimento: As contas remuneradas permitem a movimentação do dinheiro a qualquer momento, mas tem conta remunerada que só paga o rendimento a cada 30 dias, como a poupança. Ou seja, se a pessoa sacar antes, não ganha nada. Há outras que pagam rendimento todo dia, mas apenas após o 30º dia em que o dinheiro é deixado na conta, e ainda casos em que é exigido um depósito mínimo para começar a dar um rendimento diário.
  • Facilidade de movimentação: Tem conta remunerada que limita a quantidade de saques grátis a cada mês, por exemplo, a duas transações. Acima disso, tem uma tarifa.
  • Crédito: Tem conta remunerada que oferece também limite de crédito junto com o serviço de conta. Atenção com as taxas desses empréstimos e com como essas operações são autorizadas.
  • Outros serviços: Tem instituição financeira que ofecere facilidades como cartão de crédito, recarga de celular, pontos em programa de fidelidade, cashback e outros. Mas atenção às taxas cobradas nesses serviços.

Preste atenção no imposto

As contas remuneradas ajudam a proteger o dinheiro do aplicador da inflação, mas não deve ser vista como um investimento, dizem profissionais de mercado. As constantes movimentações nesse tipo de conta vão corroendo o rendimento por causa de impostos, principalmente.

A tributação sobre aplicações de renda fixa é maior para quem deixa o dinheiro aplicado por menos tempo. Se a pessoa sacar o dinheiro em menos de seis meses – o que é bastante comum para quem usa conta remunerada, pois os resgates vão acontecendo ao longo de um único mês – o Imposto de Renda fica em 22,5%, a maior taxa da tabela. Para comparar, se uma aplicação dura mais de dois anos, o IR cai para 15%.

Além disso, tem o IOF, que é cobrado até o 30º dia. Tem instituição financeira que isenta a movimentação do IOF.

Se tem o dinheiro fica pouco tempo a conta, o IOF e o IR vão comer praticamente todo o rendimento.
Alexandre Santiago, Planejador fiduciário na Fiduc

Para quem vale a pena?

A conta remunerada não deve ser vista como uma opção de investimento para quem pode guardar o dinheiro por mais tempo, dizem profissionais de mercado. Esse serviço deve ser visto mesmo como uma forma de reduzir o impacto da inflação sobre o dinheiro que está depositado.

Por exemplo, pode ser boa ideia para quem recebe no começo do mês mas tem diversas contas e compromissos no fim do mês. A conta remunerada ajuda a preservar uma parte desse capital, mas não vai dar lucro ao correntista.

Já no caso da reserva de emergência, aquele dinheiro que a pessoa vai separando para cobrir imprevistos, a conta remunerada vale como opção se a pessoa sabe que não vai ficar mexendo no valor para pagar as contas do dia a dia.

Como as contas são gratuitas, a pessoa não precisa ter todo o dinheiro em apenas uma instituição. Então, ela pode ter várias contas com vários objetivos. Mas precisa prestar atenção para ver se a conta remunerada não paga muito pouco.
Letícia Camargo, planejadora financeira pela Planejar

Fonte UOL

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