Deputado de MT saiu de casa às pressas de pijama e com mala de mão antes da chegada da PF, diz PGR

Imagens juntadas ao pedido de prisão de Gilmar Fabris (PSD) mostram o parlamentar descendo o elevador de pijama e chinelo, segundo a PGR. A casa dele era um dos endereços que os agentes iriam fazer busca e apreensão, na Operação Malebolge.

Em 20/09/2017 02:59:00 na sessão Política

No pedido de prisão do deputado estadual Gilmar Fabris (PSD), a Procuradoria Geral da República (PGR) argumentou que o parlamentar soube da Operação Malebolge e saiu de casa às pressas, na quinta-feira (14), antes da chegada dos agentes da Polícia Federal para o cumprimento de um mandado de busca e apreensão determinado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Ele deixou o local de pijama e com uma mala de mão, que, segundo a PGR, possivelmente continha documentos e valores de interesse das investigações, indicando uma fuga. Inclusive, imagens registradas pelas câmeras de segurança do prédio onde ele mora, que foram juntadas ao pedido de prisão, mostram o parlamentar descendo o elevador do prédio às 5h34 de quinta-feira, de pijama e chinelo, e com uma mala pequena nas mãos.

Por causa disso e por suposta obstrução da Justiça, o ministro Luiz Fux, do STF, determinou, na mesma data da operação, a prisão do deputado, que se apresentou na sede da Polícia Federal, em Cuiabá, na sexta-feira (15).

Conforme o então procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que concluiu o mandato dele, na segunda-feira (18), a Polícia Federal constatou que Fabris tomou conhecimento da operação minutos antes do cumprimento do mandado de busca e apreensão na casa dele, "sem que se saiba ainda como, nem por quem, que sua residência seria objeto de medida cautelar".

Fux ainda determinou uma nova busca e apreensão na residência de Fabris, no Bairro Santa Rosa, em Cuiabá, e declarou que Fabris está impedido de manter contato com os outros investigados por envolvimento em um esquema de desvio de dinheiro público e lavagem de dinheiro por meio de factorings clandestinas.

Trechos do pedido da PGR e da decisão do ministro, que está sob sigilo, constam no recurso impetrado pela defesa do parlamentar, no sábado (16), pedindo a desconsideração do estado de flagrância da prisão.

Outro lado

O advogado de Gilmar Fabris, Zaid Arbid, argumenta que ele não sabia da operação e negou que o parlamentar tenha saído de casa de pijama. Segundo ele, Fabris usava bermuda e camiseta.

"Acordar, levantar e sair antes das 6h nada tem de excepcional em relação ao comportamento do requerente, que no dia 14 de setembro de 2017, às 5h37, saiu em companhia de sua mulher, diga-se de passagem pelo elevador e não pela escada, mesmo morando no 1º andar, trajando short e camiseta e não pijamas, tênis ou chinelos, dependendo o estado de edema de seus pés, e a sua inseparável pasta", diz o advogado no pedido.

Vídeo

Fabris é investigado por suspeita de, assim como outros deputados, ter recebido mensalinho para aprovar os projetos de interesse do governo e propina de obras de pavimentação, do programa MT Integrado. O nome dele foi citado pelo ex-governador de Mato Grosso, Silval Barbosa (PMDB), como um dos beneficiados com um esquema de corrupção em vigor no governo do estado, durante a gestão de Silval.

Em um vídeo entregue por Silval Barbosa à PGR como prova material, Fabris aparecendo reclamando do valor de uma suposta propina que o governo lhe daria.

Ele questiona o ex-chefe de gabinete do ex-governador Silvio Cezar Corrêa, que era responsável pelo pagamento de propina e outras vantagens indevidas a políticos durante a gestão de Silval Barbosa, sobre os R$ 100 mil que seriam pagos a ele.

Segundo Silval Barbosa, Fabris é um dos sete deputados estaduais que, entre 2012 e 2013, o procuraram e exigiram dinheiro de propina de obras da Copa do Mundo de 2014 e do programa MT Integrado para aprovar as contas do Executivo durante a gestão dele.

Fonte: G1 MT



Por Leidieli Lima 20/09/2017 02:59:00

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