OAB quer afastamento de PMs envolvidos em chacina no sudeste do PA

Dez pessoas foram mortas em ação de reintegração de posse realizada pela polícia, na quarta-feira, 24.

Em 26/05/2017 08:56:00 na sessão Policia

Foto: TV Liberal

Durante coletiva realizada em Belém nesta quinta-feira (25), a Ordem dos Advogados do Brasil, seção Pará (OAB) informou que irá pedir o afastamento dos policiais militares que participaram da operação de reintegração de posse que culminou no assassinato de dez pessoas, em fazenda localizada no município de Pau D"arco, no sudeste do Pará, na última quarta-feira (24). Segundo a OAB, o afastamento dos PMs seria necessário para não haver entraves nas investigações. A Secretaria de Segurança Pública (Segup) declarou que as mortes serão apuradas por "uma equipe isenta, da Delegacia Especializada".

Nove homens e uma mulher morreram em um confronto com a polícia na fazenda Santa Lúcia, em Pau d"Arco, na quarta-feira (24). A Segup e da Defesa Social (Segup) disse que os policiais foram recebidos à bala quando tentavam cumprir 16 mandados de prisão contra suspeitos do assassinato de um vigilante da fazenda, no fim de abril. As equipes que participaram da operação vão responder a inquéritos policiais militares.

Parentes de vítimas da chacina contestam a versão dos órgãos de segurança do estado de que os policiais reagiram a um ataque dos colonos: segundo os trabalhadores rurais, a polícia chegou na cena do crime atirando.

O secretário de segurança pública do Pará, Jeannot Jansen, afirmou que as mortes serão apuradas por uma equipe isenta. "Não vamos ser hipócritas e negar a dimensão do episódio. Essa é a razão porque estamos reunidos, porque devemos satisfação para a sociedade, e essa é a razão porque encarregamos a nossa delegacia especializada para "tomar conta" dos inquéritos. Uma equipe imparcial, fora do local que realizará o inquérito", disse.

O caso também está sendo investigado pelos ministérios públicos Federal e do Estado. A OAB também acompanha as investigações.

Irregularidade na operação

Segundo a OAB-Pará, os policiais removeram os corpos do local do crime, o que seria uma conduta irregular e que compromete a perícia e a investigação do caso. Além disso, a Ordem declarou que parentes das vítimas alegam que há pelo menos oito sobreviventes escondidos.

A fazenda Santa Lúcia é alvo de disputa de terras. O local foi invadido três vezes desde 2015. Em abril o proprietário conseguiu a reintegração de posse, e contratou seguranças para vigiar o local. Segundo o advogado das vítimas, os trabalhadores rurais já haviam informado ao Incra, a ouvidoria agrária e ao Tribunal de Justiça do Pará sobre as tensões na região.

"Eram 200 famílias que ocupavam a área, e a gente vinha alertando as autoridades que estava na iminência de acontecer um novo massacre de Eldorado de Carajás", disse o advogado José Vargas Júnior.

O Incra informou que não houve acordo financeiro com o dono da fazenda para desapropriar a área para reforma agrária, e que tomou todas as medidas possíveis para regularizar as famílias e evitar conflitos na região.

Veja a lista das vítimas

Segundo o Centro de Perícias Científicas Renato Chaves, as vítimas são:

- Antônio Pereira Milhomem

- Bruno Henrique Pereira Gomes

- Hércules Santos de Oliveira

- Jane Júlia de Oliveira

- Nelson Souza Milhomem

- Ozeir Rodrigues da Silva

- Regivaldo Pereira da Silva

- Ronaldo Pereira de Souza

- Weldson Pereira da Silva

- Weclebson Pereira Milhomem

De acordo com a polícia, pelo menos 4 dos 10 mortos no episódio estavam com pedidos de prisão decretados. Os nomes dos mortos que teriam pedido de prisão decretados não foram discriminados.



Fonte: G1 PA



Por Leidieli Lima 26/05/2017 08:56:00

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